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domingo, 23 de outubro de 2011

Berkley Nanofil

Viva,

A Berkley anunicou esta linha faz pouco tempo e resolvi testar dois diametros, o 0.15 para Spinning e o 0,06 para Rock Fishing.



Fiquei curioso com tecnologia que diz não ser um mono nem um multifilamento. Trata-se de polietileno em gel mas em fio...como os super-fios. Nano filamentos de Dyneema ligados molercularmente.


A linha 0.15 é suave ao tacto, com uma sensação tipo plastificada onde não se sente o entrançado como nos multifilamentos, é quase lisa como o mono. Puxando um pedaço da linha ela fica em "pé", não tem memória nenhuma e obviamente elasticidade zero. 

Como podem ver na imagem a textura das linhas e os diâmetros. Muito bom em termos de suavidade nos passadores das canas com pouca fricção, mais leveza e portanto menos afectada pelo vento, que torna esta linha formidável para lançar amostras bem longe. 

Nem tudo são maravilhas. Uma linha com um diâmetro destes pode complicar alguns temas que não costumam dar problemas. O tema dos nós. Sendo uma linha muito fina, com pouco atrito e fricção, muito lisa, a Berkley recomenda alguns nós que funcionam bem.

Nos testes que fiz em Spinning usei o Albright Duplo com laçada no Nanofil, como está na imagem 3. Os nós que fiz, todos eles seguraram bem e não tive problemas. Para segurar um snap ou um anzol com olhar, a Berkley recomenda o Palomar duplo.

Como só ainda testei o 0.15 a minha opinião neste momento é esta :

Depois de uma noite de spinning não tive uma única cabeleira, transmite uma sensibilidade ao toque como nunca senti em qualquer outra linha, lança de forma impressionante e a linha cai logo na agua, não anda a voar, e fá-lo suavemente. A linha quando chega ao carreto vem literalmente seca, que foi uma dos aspectos que gostei imenso, porque nos próximos lançamentos não está molhada e consequentemente não tem o peso da agua e continua a lança longe.
Um aspecto negativo a confirmar. Fiquei com a ideia que esta linha não gosta de pedra, e quando digo não gostar, parece que não gosta mesmo de roçar nas pedras. Quando fiz a limpeza do material tive de tirar uns 10 metros de linha que estava com toques com pontinhas a desfiar. A pesca que fiz foi em praia aberta com umas pedras afundadas que até estavam pouco mariscadas e tive duas prisões ligeiras que julgo não justificarem aquele estrago. Este aspecto fica sujeito a confirmação.

De qualquer forma são muito mais os aspectos positivos que de facto dão um novo significado às linhas para a pesca com amostras.

O 0.06 vou testa-lo dentro de dias e darei feeback mais tarde.

Abraços.
Fernando Rodrigues

sábado, 11 de junho de 2011

Por um fio...

Viva,

Estava uma noite fabulosa. Quase sem vento, algumas nuvens altas e temperatura amena. O pesqueiro estava cheio de vida dentro e fora de agua. Cheguei com aquele que é o meu parceiro habitual e amigo de pescas, Pedro Pinguinha. Montamos as canas e lá fomos na conversa, disto e daquilo, coisas da vida...

Tinha recebido nesse dia duas embalagens de amostras da Keitech Swing Impact FAT em duas cores a Silver Shine e a Gold Flash Minnow no tamanho 5.8", que queria testar nas corvinas. Tinha uma dica que estas amostras no tamanho abaixo 4.8" são mortais ao engano no robalo em aguas mediterrânicas. Isto vale o que vale, mas nada como irmos experimentando coisas diferentes com espécies distintas.

Não havias os tons que queria e por isso acrescentei alguma cor às Keitech ao colocar um head jig de cabeça vermelha. 





Tinha levado uma cana que comprei à bastante tempo e que queria testar naquele pesqueiro, porque permitia que o ângulo da linha da ponta da cana até ao fundo mesmo junto à margem é mais aberto, devido aos 3 metros de comprimento, melhor para trabalhar o peixe e ajuda a não roçar o fluorocarbono naquelas pedras perfiladas e direitinhas até à linha de agua. 

Chegamos ao spot e estavam os habituais pescadores de fundo que com a sua simpatia e talvez curiosidade abriram alas para pescarmos entre eles. Estava a começar a descida da maré e estava criadas todas as condições. Alguns charrocos, algumas prisões resolvidas e uns olhares perdidos para a Trafaria. 

Já com algumas horas de maré vazante e com o pesqueiro com cada vez menos agua, começaram os ataques às tainhas seguidas de um splash mais ou menos violento, depois uma pausa e um silêncio total. E foi num momento destes que senti um toque e ferrei...e pensei "olha mais um charroco chato...!!", em acção quase mecânica, recuperei um pouco e depois senti três cabeçadas de seguida, muito rápidas e ritmadas. "Eh charroco bravo...eles este ano andam atrevidos"...

Depois parei de recuperar e comecei a sentir peso na cana, primeiro devagar e de seguida a cana verga toda. "Ah, se era um charroco, foi comido por uma corvina..." pensei eu já a gozar. 


Mais três cabeçadas de rajada e a cana continua vergada ao máximo até o carreto começar a largar linha. O drag estava bem fechado mas mesmo assim dei-lhe dois clicks do sentido do relógio. Afastei as pernas e procurei uma posição de equilíbrio. O que aconteceu de seguida foi uma luta de "leva linha, puxa linha", uma coisa quase instintiva, para a tentar coloca-la a meia agua e não deixar que afundasse ou que entocasse. 

Foi a força da cana que a puxou para cima, aproveitando para recuperar aquele pedaço de linha até ela voltar a levar linha até parar e repetindo a dose umas quantas vezes. Perto do fim, a corvina leva linha e assenta no fundo, procurando abrigo, quando começo a puxar com a força da cana reparo que não sobe e sinto uma rigidez na linha. Estava presa na pedras no fundo onde ela se tinha entocado.  Folguei a linha duas vezes e dei um passo em frente, mais não  podia, senão descia a rampa para dentro de agua. 


Volto à carga com a cana e sinto a corvina a sair e a sentir mais cabeçadas, afastou-se da margem uns dois metros e a cana fez o resto. O peixe estava cansado e depois foi trazê-la com calma até à superfície . Duas manobras para a esquerda e para a direita e levei-a ao encontro do Pinguinha que estava com o  grip na mão ali mesmo na linha de agua.





Marcou 10,825 Kg. Ao inspeccionar o fluorocarbon estava roçado em três sítios distintos e junto à amostra estava por um fio, mais um toque ou uma cabeçada mais forte e esta corvina ia-se embora com um piercing.


Esta corvina  foi para casa, que depois de arranjada, guardei um dos otólitos, uma concreção  de  carbonato de cálcio, presente dentro das câmaras do ouvido interno. Através das camadas de anéis, consegue-se determinar a idade do peixe. 





Equipamento Descrição
Carreto Okuma Trio 40
Cana Caperlan Lure 3.00 cw 30-60
Amostra Keitech Swing Impact FAT 5.8" Silver Shine
Cabeçote 20gr Vermelho Anzol Gamakatsu
Linha Power Pro 15lbs
Leader Seaguar 0,33 fluorocarbon


Abraços.


Fernando Rodrigues