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sábado, 11 de junho de 2011

Por um fio...

Viva,

Estava uma noite fabulosa. Quase sem vento, algumas nuvens altas e temperatura amena. O pesqueiro estava cheio de vida dentro e fora de agua. Cheguei com aquele que é o meu parceiro habitual e amigo de pescas, Pedro Pinguinha. Montamos as canas e lá fomos na conversa, disto e daquilo, coisas da vida...

Tinha recebido nesse dia duas embalagens de amostras da Keitech Swing Impact FAT em duas cores a Silver Shine e a Gold Flash Minnow no tamanho 5.8", que queria testar nas corvinas. Tinha uma dica que estas amostras no tamanho abaixo 4.8" são mortais ao engano no robalo em aguas mediterrânicas. Isto vale o que vale, mas nada como irmos experimentando coisas diferentes com espécies distintas.

Não havias os tons que queria e por isso acrescentei alguma cor às Keitech ao colocar um head jig de cabeça vermelha. 





Tinha levado uma cana que comprei à bastante tempo e que queria testar naquele pesqueiro, porque permitia que o ângulo da linha da ponta da cana até ao fundo mesmo junto à margem é mais aberto, devido aos 3 metros de comprimento, melhor para trabalhar o peixe e ajuda a não roçar o fluorocarbono naquelas pedras perfiladas e direitinhas até à linha de agua. 

Chegamos ao spot e estavam os habituais pescadores de fundo que com a sua simpatia e talvez curiosidade abriram alas para pescarmos entre eles. Estava a começar a descida da maré e estava criadas todas as condições. Alguns charrocos, algumas prisões resolvidas e uns olhares perdidos para a Trafaria. 

Já com algumas horas de maré vazante e com o pesqueiro com cada vez menos agua, começaram os ataques às tainhas seguidas de um splash mais ou menos violento, depois uma pausa e um silêncio total. E foi num momento destes que senti um toque e ferrei...e pensei "olha mais um charroco chato...!!", em acção quase mecânica, recuperei um pouco e depois senti três cabeçadas de seguida, muito rápidas e ritmadas. "Eh charroco bravo...eles este ano andam atrevidos"...

Depois parei de recuperar e comecei a sentir peso na cana, primeiro devagar e de seguida a cana verga toda. "Ah, se era um charroco, foi comido por uma corvina..." pensei eu já a gozar. 


Mais três cabeçadas de rajada e a cana continua vergada ao máximo até o carreto começar a largar linha. O drag estava bem fechado mas mesmo assim dei-lhe dois clicks do sentido do relógio. Afastei as pernas e procurei uma posição de equilíbrio. O que aconteceu de seguida foi uma luta de "leva linha, puxa linha", uma coisa quase instintiva, para a tentar coloca-la a meia agua e não deixar que afundasse ou que entocasse. 

Foi a força da cana que a puxou para cima, aproveitando para recuperar aquele pedaço de linha até ela voltar a levar linha até parar e repetindo a dose umas quantas vezes. Perto do fim, a corvina leva linha e assenta no fundo, procurando abrigo, quando começo a puxar com a força da cana reparo que não sobe e sinto uma rigidez na linha. Estava presa na pedras no fundo onde ela se tinha entocado.  Folguei a linha duas vezes e dei um passo em frente, mais não  podia, senão descia a rampa para dentro de agua. 


Volto à carga com a cana e sinto a corvina a sair e a sentir mais cabeçadas, afastou-se da margem uns dois metros e a cana fez o resto. O peixe estava cansado e depois foi trazê-la com calma até à superfície . Duas manobras para a esquerda e para a direita e levei-a ao encontro do Pinguinha que estava com o  grip na mão ali mesmo na linha de agua.





Marcou 10,825 Kg. Ao inspeccionar o fluorocarbon estava roçado em três sítios distintos e junto à amostra estava por um fio, mais um toque ou uma cabeçada mais forte e esta corvina ia-se embora com um piercing.


Esta corvina  foi para casa, que depois de arranjada, guardei um dos otólitos, uma concreção  de  carbonato de cálcio, presente dentro das câmaras do ouvido interno. Através das camadas de anéis, consegue-se determinar a idade do peixe. 





Equipamento Descrição
Carreto Okuma Trio 40
Cana Caperlan Lure 3.00 cw 30-60
Amostra Keitech Swing Impact FAT 5.8" Silver Shine
Cabeçote 20gr Vermelho Anzol Gamakatsu
Linha Power Pro 15lbs
Leader Seaguar 0,33 fluorocarbon


Abraços.


Fernando Rodrigues

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Spinning Urbano

Viva,

Tal como o Miguel, eu também gosto de fazer esta pesca urbana (Street Fishing), pelas mesmas razões que ele referiu, pela leveza e simplicidade do equipamento, pela proximidade dos pesqueiros e respectivo conforto e acima de tudo porque durante a acção de pesca temos a possibilidade de conversar e trocar ideias, tornando a coisa muito mais social e divertida.

A distancia entre ferrar um robalo e passado um pouco estar na esplanada de um bar a celebrar é muito curta neste urban fishing. Tem também a grande vantagem de se fazer uma pesca depois do jantar a qualquer dia da semana para relaxar entre dias de trabalho. A noite junto aos estuários, com as luzes da cidade como pano de fundo e com aquela expectativa de sermos surpreendidos  com uma espécie e um exemplar com que sonhamos, torna esta pesca quase mágica.

Dias depois de o Miguel ter ferrado dois robalos Ver aqui, voltei com o Pedro Pinguinha, para passar mais umas horas agradáveis junto à agua, mas num spot diferente. A corrente já se sentia na direcção ideal. Montei a cana habitual que uso no estuário, e coloco um vinil branco e começamos a sondar os pilares e recantos da zona circundante. 

A zona é relativamente funda e fiz trabalhar a amostra em todas as capas de agua, fazendo-a subir e descer suavemente. A corrente era suficiente para fazer trabalhar a amostra e por isso fazia um espécie de vertical jigging , mas sem os habituais puxões e twich's, era devagar até bater no fundo e subir até ver novamente a amostra.

Comecei pelo lado mais interior dos pilares, quase a deixar a amostra entrar para de baixo das estruturas e a meia agua e à terceira ou quarta passagem, ferrei uma baila muito bonita e de bom porte.


Muita luta na ponteira da cana, mas tinha o drag totalmente fechado e apenas com a acção da cana para amortecer as pancadas e com o pulso a tentar compensar, puxei o mais depressa que pude para a superfície. O tipo de estrutura e a quantidade de obstáculos, particularmente na parte interior, se deixamos o peixe sair um pouco, arriscamos a roçar o multi e lá vai peixe e amostra. Portanto, a ideia é ferrar bem, esperar que o peixe tenha engolido bem a amostra com o anzol posicionado e confiar no material. À superfície e com o peixe à vista já podemos dar um toque no drag e abri-lo um pouco, mas controlando sempre a linha que o peixe leva. Isto tudo acontece sempre de forma muito rápida e o tempo para pensar é pouco.


Como a agua estava a vários metros da parte superior dos pilares, pedi ajuda ao Pedro para me içar o peixe para cima, já que não tenho xalavar com cabo daquela dimensão.

Bailas nos estuários ? Aí estão elas, esta captura não é inédita e concerteza não será a ultima. Tal como me disse o Pedro, se há robalos, porque razão não deveria de haver bailas ? 

Com este brinde seguimos na sessão com mais entusiasmo e alento, lançámos mais para fora, varremos junto ao fundo na esperança de despertar os sentidos de uma corvina, mas nem os Charrocos deram sinal.

Por volta das 00:00 voltámos a casa, porque no dia seguinte é dia de trabalho.

Equipamento Descrição
Carreto Okuma VS-30a
Cana Okuma Salina Seaspin 2,10 cw 15-45
Amostra Sandeel 12,5cm - 23gr Branca Savage Gear
Cabeçote Savage Gear 16gr anzol 1/0
Linha Power Pro 20lb
Leader Seaguar 0,33 fluorocarbon


Abraços.

Fernando Rodrigues

domingo, 1 de maio de 2011

Street Fishing

Numa destas noites, optámos por fazer uma pesca que me agrada muito. Um street fishing, uma pesca urbana, confortável, seca, com equipamento leve, sem grandes caminhadas… só uma sessão agradável com a cidade por trás a confortar-nos com as suas luzes e movimento habitual.

Este tipo de pescas quase que convida a ir beber um copo pelo meio. E porque não? Estar com os amigos numa zona ribeirinha, com a sua vida nocturna de sábado à noite, e depois ir ao carro buscar o material e ir fazer uma sessão ali mesmo, junto aos barcos e aos muros da marina (é pena que cá não haja uma cultura mais desportiva da pesca, e por isso não seja permitido pescar em zonas portuárias ou marinas).

Bem, voltando à nossa sessão, montámos o equipamento, eu levava o conjunto de casting, o qual uso na maioria das saídas de Street Fishing, já que me dá mais gozo, e é um set up que permite grande precisão e capacidade de reacção na ferragem.

Começo por lançar para junto de uns pilares, e deixo a amostra afundar, percorro uns quantos pilares, dando tempo à amostra para trabalhar na corrente, dou uns toques pelo meio, e sigo para a frente. Entretanto o Fernando que estava comigo ficou para trás. A uns 30 metros de onde eu estava era um local que me estava a deixar inquieto… queria lá chegar, porque me parecia bom. Fui andando, e experimentando a zona, enquanto lentamente me aproximava do local. Havia ali uma parede grande, com alguma luz, e queria colocar lá um vinil a trabalhar na corrente.

E assim fiz… uma, duas, três vezes, e nada. Entretanto lanço mais para fora, para bater mais água, e venho a recolher. Quando achava que já era tempo de recolher, uma vez que já tinha a amostra muito em cima vejo um peixe a ir em direcção à amostra. Eu já via a amostra e o peixe tinha falhado o ataque, mas em menos de nada voltou outra vez, com uma velocidade que eu pensei que só tivesse passado pela amostra. Mas passado um momento, sem a ver, apercebi-me que o ataque tinha sido efectivo e ferrei. Começou então a debater-se muito energeticamente. Como eu estava a uns 4 metros acima de água, e o xalavar estava no carro… fiquei sem saber o que fazer. Tentei chamar o Fernando, mas ele não me ouviu. Bem, cansei mais o peixe e fiz algo muito arriscado, Puxei o peixe pela linha, mas este deu uns safanões, e então desci-o novamente para evitar que partisse a linha. Como não tinha outra hipótese voltei a içá-lo rápido, mas suavemente, e lá consegui.


Entretanto voltei a chamar o Fernando e a fazer-lhe sinal para trazer o xalavar. Agora já com backup voltei ao mesmo. Mas agora mantive o vinil mais tempo à superfície. Entretanto começamos a ver novamente peixe. Andava agressivo, e nitidamente a atacar. Da mesma forma que tinha tido o primeiro ataque, um segundo. Outro robalo, mais pequeno, mas que lutou bem, levando também alguma linha. Para este já tinha-mos o xalavar e rapidamente trouxemos o animal.
Mais uma foto.

Este voltou para a água, como aliás voltam todos os que têm este tamanho ou menos. Gostamos muito de um bom Robalo no prato, mas gostamos ainda mais deles na ponta da linha.

Equipamento
Descrição
Carreto
Shimano Curado 201E
Cana
Quantum KVD MH 6’6’’ ¼-1½ oz
Amostra
Storm Pro Shad 6’’ branco
Cabeçote
Offshore Angler 21gr